Veneza nasceu e cresceu no meio da laguna.
Tem 117 ilhas, 150 canais e mais ou menos 400 pontes.
A arquitectura e toda a cultura reflectem a intensa actividade comercial da Idade Média e a queda do Império Romano, quando invadido, no século V, pelos povos bárbaros do Norte.
Nessa altura, as populações fugiram para a laguna e ocuparam as pequenas ilhas onde estabeleceram os acampamentos.
Pouco a pouco, foram surgindo as primeiras casas construídas sob estacas que eram enterradas no lodo da laguna.
Este sistema veio a demonstrar que era tão sólido que perdurou até ao século XVII, quando igreja de La Salute foi ainda construída da mesma forma!
Cada ilha era independente das outras, mas perceberam que a força estava na união dos esforços necessários para resistir não só aos inimigos, mas também ao mar.
Começaram a negociar peixe e sal. Basta recordar que os próprios legionários romanos eram pagos com sal, o que deu origem à palavra salário.
A tradição diz que a cidade foi fundada como tal a 25 de Março de 421 ao meio-dia... Claro que há dúvidas quanto ao momento exacto da fundação da cidade...
Dux era o nome para a entidade que governou os povos da laguna. Dux chegou a ser traduzido como "duque" embora no linguajar da época significasse mais "dirigente".
Depois a palavra dux evoluiu para dodge (uma função que durou mais de 1100 anos), pelo que Veneza é hoje muitas vezes apelidada como a cidade dos dodges.
Para além de cidade dos dodges, Veneza também ficou conhecida como República Sereníssima desde o século XIV.
É que havia serenidade numa cidade com estabilidade política, ao contrário das revoluções e conflitos constantes com inimigos interiores e exteriores ao espaço hoje é a Itália.
E foi essa estabilidade que permitiu a grande expansão comercial que teve o apogeu no século XV.
Veneza tornou-se a porta de entrada da Europa das grandes rotas comerciais que vinham da Ásia.
Era o ponto de chegada da Rota da Seda entre a China e a Europa e onde se cruzavam cristãos, muçulmanos, judeus, chineses, mongóis e indianos. Vinham caravanas de camelos, cavalos e elefantes, que transportavam seda, especiarias e pedras preciosas, para além da cultura de todas as gentes e religiões.
Marco Polo é o mercador mais conhecido. Partiu da cidade dos dodges em 1292 e viveu no Catai (China).
Regressou 25 anos depois cheio de rubis, pérolas e esmeraldas!...
As ligações com o Oriente estão bem patentes na arquitectura da cidade.
A Igreja de São Marcos mostra bem influências bizantinas (actualmente Istambul).
O apogeu da cidade foi no século XV, depois de derrotar os turcos em Gallipoli (1416).
Veneza passou a controlar das ilhas de Creta e Chipre.
As galeras venezianas dominaram o Mediterrâneo durante cerca de 80 anos, mas os turcos conquistaram Constantinopla em 1453) e o nosso Vasco da Gama chegou à India, criando uma alternativa mais rápida e lucrativa para o comércio com o Oriente.
Começava o declínio de Veneza, que sofreu uma derrota naval contra os turcos em Chipre (1500).
Depois disso, na batalha de Lepanto - que salvou a Europa de uma invasão turca - as galeras venezianas tiveram enormes baixas.
Em 1797, Napoleão conquistou a República Sereníssima e aboliu uma constituição que já tinha dez séculos.
Acabaram os dodges. Veneza foi cedida aos austríacos até a cidade ser agrupada no território de Itália,
após a unificação da península nos finais do século XIX.