Há algum tempo que o Lupus me desperta interesse. Desde que conheci pessoas com Lupus
resolvi aprofundar o assunto e expôr aqui o que aprendi.
Segue-se informação compilada da internet, com o único objectivo de concentrar aqui a informação mais importante sobre este fenómeno.
Não pretendo conhecer em profundidade todos os termos que encontrei pelo caminho - simplesmente acho que são os correctos.
O Lupus Eritematoso Sistémico (Lupus) é uma doença crónica
não se sabe o que provoca o seu aparecimento.
Há alterações no sistema imunológico da pessoa, atingindo na maioria dos casos as mulheres.
O sistema imunológico é uma rede complexa de órgãos, tecidos, células e substâncias que se encontram na circulação
sanguínea e que agem em conjunto para nos proteger de agentes estranhos.
Uma pessoa com Lupus desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, e pode consequentemente afectar a pele, as articulações,
rins e outros órgãos, ou seja, a pessoa torna-se "alérgica" a ela mesma, o que faz do Lupus uma doença auto-imune!
Mas não é uma doença contagiosa, infecciosa ou maligna!
A maioria dos casos de Lupus ocorre esporadicamente, o que leva a crer que factores genéticos e ambientais têm um papel importante na doença.
O Lupus varia muito de um paciente para outro. Há casos simples que exigem intervenções médicas mínimas,
e há casos mais graves com danos em órgãos
vitais como pulmões, coração, rins e cérebro. A doença é caracterizada por períodos de actividade e de inactividade
que podem durar semanas, meses ou anos. Alguns pacientes nunca desenvolvem complicações severas.
Uma informação importante: Se tens lúpus e estás a pensar em engradivar fica a saber que há uma consulta de apoio a grávidas lúpicas no Hospital de Santa Maria!
Um pouco de História
Em
1851, o médico francês Pierre Lazenave observou pessoas que apresentavam "pequenas feridas" na pele, como pequenas mordidas de lobo. Em 1895,
o médico canadiano Sir William Osler descreveu melhor como é que as várias partes do corpo estavam envolvidas
e juntou a palavra "sistémico" à descrição da doença.
Lupus=lobo
eritematoso=vermelhidão
sistémico=todo
Definição
A
"American College of Rheumatology" é uma associação
americana que juntou profissionais reumatologistas e definiu em 1971 (revistos em 1982)
11 critérios que definem o quadro de Lupus. Estes critérios foram modificados em 1997.
Uma pessoa pode ter Lupus se 4 critérios estiverem presentes:
Critérios de pele:
1 - mancha em forma de "asa borboleta" - vermelhidão característica no nariz e na face
2 - Lesões na pele - normalmente em áreas expostas ao sol
3 - sensibilidade ao sol e luz - lesões após a exposição de raios ultravioletas A e B
4 - úlceras orais - boca e nariz
Critérios sistémicos:
5 - artrites - inflamação de duas ou mais articulações, com dor ou inchaço
6 - serosite - inflamação do revestimento do pulmão que se chama pleura, e do coração, que é o pericárdio
7 - alterações renais - existeme proteínas e sedimentos na urina
8 - alterações neurológicas - que não têm explicação imediata - psicoses ou depressões
Critérios laboratoriais:
9 - leucopenia (poucos glóbulos brancos), trombocitopenia (poucas plaquetas) ou
anemia causada por anticorpos contra os glóbulos vermelhos (chamada hemolítica)
10 - anormalidades imunológicas - anticorpos anti-DNA, ou anticorpos SM positivos, ou teste falso-positivo para sífilis
11 - factor antinúcleo positivo (FAN)
Diagnóstico
Sabias que há uma consulta de apoio a grávidas lúpicas no Hospital de Santa Maria em Lisboa?
O diagnóstico correcto é feito a partir do histórico
da pessoa juntamente com os exames laboratoriais.
Algumas perguntas podem ajudar bastante no diagnóstico.
1 - Teve dores ou inflamações nas articulações durante mais de 3 meses?
2 - Teve pequenas feridas na boca ou nariz durante mais de 2 semanas?
3 - Os dedos mudam de cor, ficando pálidos ou roxos, quando o tempo está frio ou quando estão em contato com água fria?
4 - Surgiu alguma lesão vermelha no rosto ou no nariz e bochechas, por mais de um mês?
5 - Durante algum exame de sangue alguém lhe disse que tinha poucos glóbulos vermelhos, brancos ou plaquetas?
6 - A sua pele fica muito vermelha e irritada, principalmente no rosto, depois de estar ao sol? e é pior em comparação com outras pessoas?
7 - Sentiu dificuldade ou dor ao respirar durante alguns dias?
8 - Tem perdido muito cabelo ultimamente? mais do que o normal?
9 - Já teve convulsões?
10 - Alguma vez fez algum exame de urina onde tenham sido encontradas muitas proteínas?
Se 3 ou mais destas perguntas forem respondidas com "sim" é recomendável um exame ao sangue para testar a possibilidade de Lupus.
Exames
Laboratoriais
Hemograma
- contagem dos glóbulos vermelhos e brancos, assim como das plaquetas, que são responsáveis pela coagulação.
40% dos pacientes de Lupus têm anemia, 15 a 20% têm leucopenia e 25 a 35% têm trombocitopenia.
Teste de Coombs - exame que comprova que a anemia vem da produção de anticorpos contra os glóbulos vermelhos.
Urina - os pacientes de Lupus podem apresentar um aumento de proteínas na urina.
FAN (factor anti-núcleo) - No núcleo estão algumas proteínas e também o DNA. Qualquer anticorpo contra o DNA ou
contra as proteínas do núcleo determina um FAN positivo, o que acontece em 95% a 100% dos casos.
Células LE - os neutrófilos são capazes de "engolir" núcleos de outras células atacadas pelo anticorpo
anti-núleo, formando as células LE positivas. Cerca de 80% dos pacientes de Lupus apresentam este teste positivo.
Anticorpo anti-DNA - existem dois tipos de DNA, nativo (dupla hélice) e mono-hélice, sendo que 60%
a 80% dos pacientes com Lupus produzem anticorpos contra os dois. A presença do anticorpo anti-DNA facilita a nefrite - inflamação dos rins.
Anticorpo anti-SM - anticorpo dirigido contra uma proteína do núcleo no sangue,
mas apenas 30% dos pacientes produzem esse anticorpo.
Dosagem de complemento - quando o anticorpo faz das suas, forma-se uma estrutura chamada imunocomplexo.
Quando este se deposita, atrai uma substância chamada complemento, esponsável pela inflamação. A dosagem de complemento
total (CH50) e das frações C3 e C4 são medidas, avaliando-se envolvimento renal e atividade da doença.
Causas
Porque é que o sistema imunológico de uma pessoa que tem Lupus se "perde" e deixa de reconhecer
o seu próprio corpo, passando a atacá-lo como se fosse estranho?
Imunidade
O sistema imunitário é regulado por uma combinação de glóbulos brancos do sangue.
Existem basicamente 3 tipos destas células envolvidas na resposta imunitária:
- linfócito B (produtores de anticorpos)
- linfócito T (reprimem a produção e são chamados T supressores)
- macrófago (regulador da produção).
Normalmente, o sistema imunitário tolera seu próprio organismo, e não produz excessivamente anticorpos contra seu corpo.
Só que, em alguém com Lupus, a quantidade de auto-anticorpos é enorme!.
Parece que há uma diminuição da acção do linfócito T supressor, ou até uma grande estimulação na produção de linfócitos T auxiliadores.
Genética
Há quem acredite numa predisposição genética à doença, mas ainda não se conhecem os genes causadores.
Apenas 10% das pessoas com Lupus tem parentes próximos com Lupus também - só 5% de crianças de pais que têm Lupus
desenvolvem a doença.
Em www.drwebsa.com.ar
(Associação Lupus Argentina) corre a teoria que há uma "susceptibilidade hereditária" para o Lúpus.
Também em
www.southmex.com.mx
(Fundação Mexicana de Lupus) falam de uma "predisposição genética"...
No site www.avelupus.org encontrei o seguinte texto:
"Si usted tiene lupus, los familiares en primer grado como hermanos, padres e hijos, tienen un riesgo mínimo de desarrollar la enfermedad.
Algunos estudios han revelado el 10% para la hija y el 2% para el hijo.
Para gemelos idénticos las posibilidades de que el hermano sano adquiera el lupus varia del 26 al 70%, y en gemelos no idénticos es sólo del 5 al 10%.
Con esta información no sería recomendable investigar en todos los familiares de pacientes con lupus estos marcadores genéticos,
ya que las posibilidades de adquirir la enfermedad son muy remotas y solo producen angustia y preocupación innecesarias."
Hormonas
90% das pessoas com Lupus são mulheres, entre os 15 e os 40 anos de idade.
Por isso, o Lupus parece ter alguma associação com o estrogénio, uma hormona produzida pelas mulheres nos anos reprodutivos.
O estrógeno tem um efeito acelerador da doença.
Stress
O stress é comprovadamente um catalisador de Lupus. A adrenalina e a cortisona não são boas companhias!
Raios Ultravioletas
Cerca de 30 a 40% das pessoas com Lupus apresentam sensibilidade aos raios ultravioleta vindos da luz solar ou artificial:
- podem ocorrer alterações no DNA estimulando a produção anormal de anticorpos;
- as células da pele (queratinócitos) quando expostas à luz ultravioleta estimulam os linfócitos a produzirem anticorpos;
- a luz UV torna difícil que os imunocomplexos "saiam da circulação". Eles podem até depositar-se nalguns tecidos provocando inflamações.
Vírus
É possível que linfócitos B sejam infectados por vírus e provoquem a produção de anticorpos em pessoas susceptíveis.
Substâncias Químicas
Alguns remédios como procainamida (para perturbações no coração), hidrazida (para a tuberculose), difenilhidantoína (para epilepsia), hidralazina
(para a pressão alta), podem produzir um conjunto de sintomas semelhante ao Lupus.. Descobriu-se que os pacientes demoram mais a metabolizar esse tipo de drogas, bastando a suspensão do uso para os sintomas regredirem.
Tratamento
Um remédio para o Lupus não funciona da mesma forma que um antibiótico contra uma infecção.
O tratamento do Lupus engloba uma série de medidas, entre medicamentos e normas para que se viva bem.
Sol As pessoas com fotossensibilidade ou manchas, devem evitar a exposição
ao sol, utlizando SEMPRE filtros solares.
Dieta
Sabe-se que, quando as pessoas usam cortisona, aumenta a retenção de água no organismo provocando inchaços.
Deve-se então diminuir o sal na dieta normal. Quando o peso está acima do normal, devem-se reduzir calorias.
Parece que o óleo de peixe ajuda na redução da inflamação.
Drogas, Álcool e Tabaco Sulfamidas, contraceptivos orais e penicilinas podem fazer disparar
a doença e devem ser evitados.
O álcool e o tabaco são altamente prejudiciais a qualquer pessoa,
mas no caso de Lupus deve-se principalmente evitar a interacção do álcool e do tabaco com sedativos e antialérgicos.
Exercícios e Repouso
As articulações têm estruturas que devem ser bem cuidadas.
Quando inflamadas precisam de períodos de repouso intercalados com
os de atividade, para evitar lesões. Também deve-se dar atenção
à postura e às posições de trabalho e lazer. Por isso,
exercícios regulares podem ajudar a prevenir fraqueza muscular
e a fadiga.
Medicamentos
Não existem programas de tratamento iguais para todos as pessoas.
Verifica-se o grau de evolução da doença bem como
as queixas de cada pessoa. Muitas vezes são utilizados vários
remédios ao mesmo tempo para controlar os sintomas.
Cortisona
-
são hormonas sintéticas, cópia das produzidas pela glândula supra-renal, extremamente potentes contra a inflamação.
Mas apresentam efeitos colaterais em dosagens altas como o aumento de peso, "inchaços", pressão alta, cataratas, devendo então ser
usados com precaução e unicamente através de indicação médica. Os mais comuns são: prednisona, prednisolona e hidrocortisona.
Antiinflamatórios não-esteróides
- alguns sintomas como a fadiga, a febre e a artrite podem ser tratados com não-esteróides. Não há efeitos colaterais, mas há a intolerância do estômago. O mais antigo é a aspirina.
Antimaláricos - são muito úteis para controlar a artrite e problemas de pele.
São usados também contra a malária.
O maior problema é que afecta a visão. Os antimaláricos usados são a cloroquina e a hidroxicloroquina.
Imunossupressores - são usados para diminuir a acção do sistema imunitário, existindo grandes efeitos colaterais. é
preciso avaliar muito seriamente os benefícios e riscos associados a este tratamento.
Links
Espero ter contribuído para uma melhor noção sobre o Lupus.
A minha área nem é saúde, mas terei todo o prazer em ajudar a investigar nesta área.
Eis alguns links, muito esclarecedores: