As moedas nacionais são vitais para a economia moderna.
Permitem-nos exprimir o valor de um bem em qualquer parte do mundo.
A moeda está profundamente enraizada em cada cultura.
Basta ver como estamos familiarizados com o preço das coisas: em Portugal pensas nas coisas em "escudos", tal como, quanto a distâncias, pensas em centímetros e em quilómetros.
Em 1 de Janeiro de 2002, o Euro passou a ser a única moeda de 12 estados membros da União Europeia.
Somos agora a segunda maior potência económica do mundo (que, afinal, não é assim tão grande...).
Foi o maior evento da História relacionado com moeda.
Estes são os países que fazem parte da Comunidade Europeia:
A Comissão Europeia (CE) criou o símbolo do Euro com 3 objectivos. Teria de ser:
facilmente reconhecido
facilmente escrito
agradável à vista
A CE chegou a ter mais de 30 desenhos. Seleccionaram 10 e deram à votação pública, depois da qual chegaram a 2. Depois escolheram o actual.
O desenho escolhido baseia-se na letra Grega "epsilon", e também se aprece com o "e", a primeira letra da palavra "europa".
As duas linhas paralelas ao centro do "c" representam estabilidade.
As notas
Há 7 notas. O desenho das notas também foi resultado de concurso. Foram nomeados designers pelos Bancos Centrais Nacionais e foi-lhes dado o tema: "Épocas e Estilos da Europa" ou um tema moderno abstracto.
Foi Robert Kalina do Oesterreichische Nationalbank quem ganhou. Os seus desenhos foram seleccionados pelo Conselho Europeu de Dublin em Dezembro de 1996. Ele baseou-os em 7 épocas arquitectónicas da História Cultural Euopeia.
Os tamanhos diferentes facilitamn a identificação.
Há 8 moedas com valores desde 1 cêntimo até 2 euros
Elas também têm tamanhos e espessuras diferentes de acordo com os seus valores.
Tal como para as notas, houve concurso e foi Luc Luycx, do Royal Belgium Mint, o vencedor para a face comum aos 12 estados membros.
O desenho é um mapa da Europa rodeado de 12 estrelas, representando a União Europeia.
O lado oposto tem um desenho específico de cada país, sempre rodeado de 12 estrelas.
Apesar dos desenhos diferentes, todas as moedas são aceites em qualquer estado membro.
Os Bancos Centrais Europeus tiveram de pagar a produção inicial da moeda, cerca de 50 biliões de moedas e 14.5 biliões de notas euro!
De onde veio a ideia?
A semente inicial surgiu em 1946 quando Winston Churchill sugeriu a criação dos "Estados Unidos da Europa". O seu objectivo era primariamente politico. Esperava que um governo unificado trouxesse paz a um continente que sofreu duas guerras mundiais.
Depois, em 1952, 6 países da Europa ocidental criaram a "European Coal and Steel Community". A ideia era os recursos de cada país poderem ser controlados por uma entidade independente. O objectivo era evitar conflitos militares entre a França e a Alemanha.
Em 1957, assinou-se o Tratado de Roma, declarando o objectivo de criar um mercado global europeu. Foi assinado pela França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.
Depois de muitas falsas partidas, em 1989 o relatório de Jacques Delors (o Presidente da Comissão Europeia) previa 3 fases de transição para a moeda única.
Primeira fase - a 1 de Julho de 1990 foram imediatamente abolidas todas as restrições ao movimento de capitais entre os estados membros.
Segunda fase - 1 de Janeiro de 1994. Estabeleceu-se o Instituto Monetário Europeu. IME era responsável por coordenar a política monetária europeia, e reforçar a cooperação entre os bancos centrais europeus, assim como preparar o estabelecimento do sistema Monetário Europeu que incluía uma única política monetária e um única moeda.
Em Dezembro de 1995, Os Chefes de Estado reuniram-se em Madrid no Conselho Europeu e votaram no nome "euro" para a moeda única da CEE - Comunidade Económica Europeia.
Terceira FaseA 1 de Janeiro de 1999, estabeleceram-se as taxas de irrevogáveis conversão entre as moedas dos 11 estados membros (A Gréecia só se juntou em Janeiro de 2001).
Alguns países tinham os requisitos (definidos no Tratado de Maastricht, em 1991), mas não quiseram participar, por exemplo O Reino Unido, a Dinamarca e a Suécia.
Os que aderiram tiveram de obedecer aos critérios de convergência:
- O défice orçamental do país não pode exceder 3% do PIB (Produto Interno Bruto).
- A dívida externa não pode ser superior a 60% do PIB.
- A inflação não ter mais de 1.5% dos que 3 países com menor inflação.
- A taxa de juro não pode ter mais de 2% da média dos países com menor inflação.
No entanto, alcançar estes critérios leva tempo. O pacto de Cresciemnto e Estabilidade, de 1996, estabelece multas para quem não cumpre estes critérios. Os países em recessão, podem estar isentos destas multas.
O valor do Euro
Em 1998, foi estabelecido o Banco Central Europeu. O Conselho Geral do BCE definiu as taxas de conversão para cada país participante em 1999. Os valores foram encontrados confrontando as moedas com o dólar a 31 de Dezembro de 1998.
Assim, um EURO equivale a:
40.3399 francos belgas
340.750 dracmas gregos
6.55957 francos franceses
1 936.27 liras italianas
2.20371 florins holandeses
200.482 escudos portugueses
- 1.95583 marcos alemães
166.386 pesetas espanholas
0.787564 libras irlandesas
40.3399 francos luxemburgueses
13.7603 xelins austríacos
5.94573 markkas finlandesas
Implementação e impacto do Euro
Os calendários para a a implementação do Euro são ligeiramente diferentes nalguns países:
31 Dez 2001 - Último dia de transacções electrónicas na moeda antiga.
31 Dez 2001 - Marco Alemão deixa de ter valor legal, podendo, no entanto, ser trocado.
28 Jan 2002 - último dia do florim holandês
09 Fev 2002 - último dia da libra irlandesa
17 Fev 2002 - último dia do franco francês
28 Fev 2002 - último dia de todas as outras moedas.
No período de dupla circulação, as Caixas Automáticas só dão Euros.
Vantagens
Eliminação da flutuação das taxas de juro - Num cenários inter-moedas acontece pagar muito mais ou muito meno que o combinado devido a este factor.
Transparência de preços - A comparação de preços entre os países vai levar à equalização dos mesmos, portanto a uma maior competitividade no mercado.
Custos de transacção - Deixa de haver custos pelo câmbio de moedas.
Intensificação de comércio além-fronteiras - Os factores atrás descritos vão tornar a "Eurolândia" num mercado fervilhante.
Emprego além fronteiras - O pagamento dos salários na mesma moeda, é menos um impedimento à procura de emprego no país vizinho.
Facturação simplificada - A facturação de serviços e de produtos é muito mais simples.
Negócios expansíveis a outros países - Em vez de haver um sistema bancário, contas, etc, uma só conta, num só banco, numa só moeda...
Estabilidade financeira no mercado - Todos os intrumentos financeiros passarão a figurar na mesma moeda. O bancos poderão fazer empréstimos para além-fronteiras, dentro da CE.
Estabilidade macro-económica - A inflação acabará por diminuir nos países da CE.
Taxa de juro mais baixa - Antes, uma taxa adicional era cobrada para prever as flutuações. Agora o risco desapareceu.
Reforma estrutural para as economias europeias - Os requisitos de participação na CE fizeram com que as economias dos países aderentes ficassem "em forma", quanto mais não fosse por causa das multas...
Desvantagens e Riscos
Pois, nem tudo são vantagens. O custo de 12 países passarem a uma única moeda, pode, por si mesma, ser considerada uma desvantagem.
Biliões (de euros) vão ser gastos, não só na produção da moeda, como na alteração de todos os sistemas, software material impresso, máquinas automáticas, parquiímetros, postos telefónicos, etc, para aceitar a nova moeda.
Ainda para mais, é necessário tempo de aprendizagem necessário aos empregados, patrões e até aos consumidores.
Todos os governos já devem ter uma previsão deste impacto.
São muitas horas de organização, planeamento e implementação.
O risco de choque económico está pendente. A um nível macro-económico, as flutuações têm sido, até agora, geridas pelos próprios países.
Com as suas próprias moedas, os países podiam ajustar as taxas de juro para encorajar osinvestimentos.
- O Euro torna isso impossível, portanto esta forma de recuperação, deixa de existir. Agora é o Banco Central Europeu que se encarrega disso.
Também podiam desvalorizar a prórpia moeda ajustando a taxa cambial o que encorajava os estrangeiros à compra de bens desse país.
- Também este método de recuperação deixa de ser possível.
O Orçamento de Estado também era flexível ao ponto de, se o desemprego ou programas de reabilitação social o "exigissem", o governo aplicava mais dinheiro nessa áreas. Isto volta a colocar dinheiro na economia e a encorajar o consumo, logo a tirar o país da recessão.
- O Pacto de Crescimento e Estabilidade, impede as "derrapagens" para além de alguns limites, mas também de recuperar o país de uma recessão...
Para além deste tipo de choque económico há o risco do choque político.
A falta de concenso pode causar problemas e tensões entre os participantes.
E há sempre o risco potencial de um pais membro colapsar financeiramente e afectar todo o sistema.
É uma tarefa monumental 12 países mudarem para um único sistema monetário!